Você conhece os EPI’s usados durante a limpeza interna do incinerador? A incineração é uma técnica de tratamento de resíduos que utiliza um forno para queimá-los de forma controlada, em altas temperaturas. Esse forno é o incinerador, equipamento capaz de reduzir significativamente o volume do lixo gerado por indústrias, hospitais e municípios, transformando boa parte do material em cinzas e gases.
Essa eficiência, porém, vem acompanhada de uma rotina de operação e manutenção que expõe os trabalhadores a riscos importantes. Entre os mais comuns estão:
- Exposição a altas temperaturas;
- Inalação de substâncias tóxicas;
- Contato com resíduos perigosos;
- Queimaduras; e
- Incêndios e explosões.
Esses riscos ficam ainda mais sérios quando o trabalho passa a ser feito dentro do equipamento, como acontece nas limpezas e manutenções internas. Nesse momento, entra em cena outra norma regulamentadora.
O incinerador como espaço confinado
A NR-33, norma que trata da segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados, define como espaço confinado todo ambiente que:
- Não foi projetado para ocupação humana contínua;
- Possui meios limitados de entrada e saída; e
- Apresenta ou pode apresentar atmosfera perigosa.
O interior de um incinerador reúne essas três características. A câmara de combustão foi feita para queimar resíduos, o acesso costuma acontecer por aberturas estreitas e, mesmo com o equipamento desligado, gases, poeiras e restos da queima podem permanecer no ambiente. Por isso, a limpeza interna pode se enquadrar como trabalho em espaço confinado, com riscos como:
- Ventilação insuficiente;
- Deficiência de oxigênio, quando a concentração de oxigênio no ar fica abaixo de 19,5%, nível considerado inseguro para a respiração;
- Presença de substâncias inflamáveis; e
- Inalação de gases, vapores ou poeiras tóxicas.
Diante desse cenário, a entrada no incinerador exige uma série de cuidados que começam muito antes de o trabalhador vestir qualquer equipamento.
Medidas antes da entrada no Incinerador
Pela NR-33, a entrada em espaço confinado só pode acontecer com a Permissão de Entrada e Trabalho (PET), documento que registra as condições de segurança e autoriza a atividade. Antes da liberação, o equipamento precisa estar desligado, resfriado e com suas fontes de energia isoladas e bloqueadas. A atmosfera interna também deve ser avaliada e ventilada, e um vigia deve permanecer do lado de fora acompanhando todo o trabalho.
Essas medidas eliminam ou reduzem boa parte dos riscos, mas sempre resta uma parcela que depende da proteção individual. É justamente aí que os EPIs fazem a diferença.
EPIs na limpeza do incinerador
Os EPIs, ou equipamentos de proteção individual, são dispositivos de uso pessoal destinados a proteger o trabalhador contra riscos à sua segurança e saúde. Segundo a NR-6, todo EPI deve possuir Certificado de Aprovação (CA), emitido pelo órgão nacional competente, e ser fornecido gratuitamente pelo empregador. Na limpeza interna do incinerador, alguns dos principais são:
- Respirador com proteção facial, que protege as vias respiratórias e o rosto contra gases, vapores e poeiras. O modelo deve ser escolhido a partir da avaliação da atmosfera, e situações de deficiência de oxigênio exigem respiradores com fornecimento de ar;
- Capacete de segurança, que protege a cabeça contra impactos em estruturas internas e quedas de materiais;
- Luvas de proteção contra agentes químicos, que evitam o contato direto da pele com cinzas e resíduos perigosos;
- Vestimenta de proteção contra agentes químicos, que cobre o corpo e impede a contaminação da pele e das roupas comuns;
- Calçados de segurança, que protegem os pés contra perfurações, impactos e contato com resíduos; e
- Cinturão de segurança tipo paraquedista, ligado ao sistema de resgate, que permite retirar o trabalhador rapidamente em caso de emergência.
Cada um desses equipamentos cumpre uma função específica, e a falta de qualquer um deles pode comprometer toda a proteção. No interior de um incinerador, onde o ar, o calor e os resíduos podem se tornar ameaças em poucos minutos, a combinação entre planejamento, controle da atmosfera e EPIs adequados é o que garante que o trabalhador saia do equipamento da mesma forma que entrou.
O INBRAEP – Instituto Brasileiro de Ensino Profissionalizante – possui o curso profissional de NR – 33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Neste curso, o profissional irá obter conhecimento sobre técnicas de segurança que garantam a entrada, o trabalho e a saída segura dos trabalhadores nos espaços confinados através da implantação de medidas de proteção, garantindo assim sua eficiência e confiabilidade no trabalho e prevenção de possíveis riscos. Para mais informações, acesse o curso de NR-33.
Referências
1 – VGR. Quais são as vantagens e as desvantagens da incineração do lixo?. Brasil, 2020.
2. tipos de incineradores mais comuns e utilizados. Brasil, 2018.
3 – Ecodebate. Os riscos à saúde ocupacional dos trabalhadores que coletam resíduos no Brasil. 03 Set. 2025.
4 – Silcon. Incineração de resíduos: quais os cuidados e riscos no processo? 05 Fev. 2020.
5 – Ministério do Trabalho e Emprego. NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Portaria SEPRT n.º 1.690, de 15 de junho de 2022.
6 – Nederman. Os Principais Riscos de Operações em Espaços Confinados.





